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Nos calamitosos dias apostólicos, a doutrina cristã encontrava-se em efervescente formação e vigorosa envergadura. Paulo e os discípulos sedimentaram salutares tradições cristãs, repletas de dignos preceitos seguidos pela igreja, entre eles, o preceito do véu, obrigando as irmãs usarem o acessório nos cultos. Destarte, Paulo, com louvor, exorta a igreja guardar os preceitos ensinados por ele: Ora, eu vos louvo, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais os preceitos assim como vo-los entreguei. I Coríntios 11:2. É mister indagar: qual a importância do aludido preceito à vida espiritual da igreja? Obedecia quem queria? O apóstolo Paulo responde de forma enfática: Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão. Coríntios 15:2. Vê-se a promessa de salvação condicionada à obediência da doutrina apostólica: E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Atos 2:42. Os cristãos obedeceram à doutrina conforme Paulo e os discípulos ensinaram; qualquer ensino diferente da doutrina apostólica era considerado evangelho anátema: Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Gálatas 1:8. É forçoso inferir: só existe um evangelho verdadeiro, vinculado à doutrina apostólica, vastamente regada com sangue dos mártires. O verdadeiro evangelho foi

passado dos apóstolos para a igreja de Antioquia, representada por Luciano, sucedida pelos valdenses, Igreja do Deserto, Reforma, Pioneiros Adventistas e Igreja Remanescente.

Qual o tecido do véu e seu tamanho?

Vislumbra-se na epístola paulina o festejado apóstolo reprovar com rigor a conduta das irmãs cristãs, adorando ou dirigindo oração sem cobrir a cabeça com o véu. Contudo, existe controvérsia quanto ao tecido do véu: adotava-se véu de pano opaco ou véu de filó? A corrente favorável ao uso do véu de filó não apresenta nenhum texto bíblico, testemunho, fonte patrística ou da Reforma protestante; simplesmente ampara sua tese em suposição e comparação, como se vê: A mulher religiosa representa a noiva de Cristo, e as noivas de Jerusalém, judias e muitas árabes, bem como as noivas cristãs usam o véu de filó quando vão para o altar, e é assim que as mulheres devem fazer cobrir com véu de filó branco, como também esclarece os dicionários da língua portuguesa: “Véu, tecido transparente com que as mulheres cobrem a cabeça”. Cartilha da Doutrina Cristã, p. 35. Convém salientar, o objetivo do véu devocional consiste em cobrir a cabeça da mulher cristã completamente. Na celebração de casamento, os véus são transparentes, cobrindo apenas parte da cabeça, chocando-se com a exigência paulina.

Neste norte, o véu assentado em I Coríntios 11 exorta as irmãs cobrirem a cabeça, evitando deixar os cabelos à mostra na oração, adoração e cultos. Ademais, existem diferenças robustas entre o véu de casamento e o véu devocional. O véu exigido por Paulo visa adoração e não casamento com Cristo. As supostas noivas cristãs usam véus transparentes, modelados ao sabor da moda, e não o véu devocional. Com efeito, torna-se extremamente perigoso sustentar doutrina amparada em suposição, ilação ou comparação. É forçoso defender a verdade sob a égide de

fundamentos sólidos, conforme exorta a irmã White: É vontade de Deus que todos os fundamentos e posições da verdade, sejam acurada e perseverantemente investigados, com oração e jejum. Os crentes não devem ficar em suposições e mal definidas ideias do que constitui a verdade. (WHITE, Ellen Golden. Obreiros Evangélicos. 5. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 1993. p. 299). Com efeito, misturar verdades com suposição ou comparação não é recomendável; são palha e feno, não servem para alimentar o rebanho, merecendo a reprovação de Deus. Ademais, a irmã White proíbe misturar verdade com suposições: Vossa mente tem estado em tensão fora do natural por longo tempo. Tendes muita verdade, verdade preciosa, mas misturada com suposição. (WHITE, Ellen Golden. Mensagens Escolhidas. V. 1. 2. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 1985. p. 179). A verdade perde essência quando é misturada com suposição, ilação e comparação, prejudicando o objetivo projetado por Deus em benefício da igreja.

Como exposto, a firmeza da doutrina edifica-se no alicerce do sólido, assim diz o Senhor, elidindo completamente a mistura da verdade com comparação ou suposição, conforme os seguros ensinamentos da irmã White: Nossa obra é ensinar homens e mulheres a edificar sobre uma base verdadeira, a firmar os pés num claro Assim diz o Senhor. (WHITE, Ellen Golden. Obreiros Evangélicos. 5. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 1993. p. 316). A base doutrinária da Igreja de Deus escora-se na legitimidade, vigência e eficácia da Lei e Testemunho: À Lei e ao Testemunho! Se eles não falarem segunda esta palavra, nunca verão a alva. Isaías 8:20, na falta destes, convém perquirir as obras patrísticas ou da lavra dos reformadores. Como discípulos de Cristo: Todos nos achamos em obrigação para com Deus, quanto a conhecer o que Ele nos envia. Ele nos deu orientações por onde provar toda a doutrina _ A lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não tem iluminação. Isaías 8:20 (Trad.

Trinitária). (WHITE, Ellen Golden. Obreiros Evangélicos. 5. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 1993. p. 301). Os discípulos de

Cristo não misturam verdade com suposição, ilação ou comparação para firmar doutrina; gozam da iluminação divina, escorando a doutrina no claro “Assim diz o Senhor”, endossado pelas Escrituras.

Nesta senda, após exaustiva investigação, diga-se, a Lei e o Testemunho guardam silêncio quanto ao tecido do véu. Entrementes, garimpando obras patrísticas, os escritos da lavra de Clemente de Alexandria trazem lume à querela, exortando a mulher cristã orar de cabeça coberta. Leia-se: deve cobrir os cabelos totalmente. Se assim for, o véu de filó não tem o condão de cobrir a cabeça; somente o véu de pano opaco atende à exigência doutrinária: A mulher e o homem devem ir decentemente vestidos à Igreja, com passo natural, saudando-se com grande reserva, cheios de sincera caridade, puros de corpo e de alma, dispostos a orar a Deus.

Que a mulher, ademais, observe isto: Vá sempre com véu, exceto quando está em casa, pois sua figura deve ser respeitável e inacessível aos olhares. Com a vergonha e véu diante de seus olhos não se extraviará jamais, nem incitará outro a cair no pecado, por desnudar seu rosto.

Sim, esta é a vontade do logos: é muito conveniente que ore coberta. (ALEXANDRIA, Clemente de, O Pedagogo, 1. ed. Ed. Ecclesiae, 2013. p. 294). Por fim, relata a vontade do Logos, Jesus Cristo, exortando a mulher cristã orar coberta com véu, comprovando a prática doutrinária oriunda de Jesus. Deveras, as mulheres da igreja primitiva oravam cobertas com véu.

No vasto e rico acervo literário dos cristãos primitivos, encontra-se um texto esclarecedor da lavra de Hipólito, bispo de Portus (170-236 d.C.), delimitando como ideal, uso de pano opaco para confeccionar o véu devocional: “E que todas as mulheres tenham suas cabeças cobertas com um pano opaco, não com um véu de linho fino, pois isso não é uma verdadeira cobertura”. (Easton, Burton Scott, A

Tradição Apostólica de Hipólito, 1934, p. 43, pare II, 18). O festejado Patrístico condenou o transparente véu de filó e recomendou como essencial o véu de pano opaco. O elucidativo texto é prático, o escopo do véu é cobrir os cabelos; portanto, somente o véu de pano opaco cumpre a finalidade. Destarte, o véu de linho ou filó não cobre adequadamente a cabeça das irmãs quando em devoção perante o Soberano do Universo, desrespeitando os anjos. O véu de filó torna-se inconveniente, deixa a mulher com a cabeça desnuda, segundo exortação de Clemente de Alexandria.

Vencido este obstáculo, é forçoso prosseguir, elucidando o tamanho do véu devocional e a confirmação do véu de pano opaco usado na igreja primitiva na obra do pesquisador Hussell Champlin. As obras patrísticas apontaram as irmãs primitivas usando véu de pano opaco, restando descobrir o tamanho do véu devocional. O renomado teólogo cristão contemporâneo, apreciado por suas investigações, forneceu a resposta em sua obra O Novo Testamento Interpretado Verso por Verso. Segundo Champlin: Paulo havia instruído os crentes coríntios com respeito a várias coisas atinente a conduta pessoal e eclesiástica. Paulo não aprovava as mulheres que não usassem o véu em determinadas ocasiões. O desuso do véu era contrário à tudo quanto ele conhecera como rabino. No entanto, onde está o véu das mulheres! De fato, é muito difícil encontrar essa pratica em qualquer igreja evangélica moderna. Às vezes vemos pequenos chapéus ou panos de cabeça usados pelas mulheres crentes. Ora, isso não teria agradado e nem satisfeito ao apostolo dos gentios. Ele recomendou e ordenou o uso do antigo véu oriental, que tinha o propósito de cobrir os cabelos, fazendo-os desaparecer da vista. Um chapeuzinho ou um pano de cabeça não é um véu. Diante do exposto, vislumbra-se Champlin alinhado com a posição de Clemente e Hipólito. O objetivo do véu é cobrir os cabelos; portanto, somente o véu de pano opaco cumpre a missão, longo o suficiente para cobrir totalmente os cabelos, sem

deixá-los à vista. Assim sendo, o transparente véu de filó não atende à exigência do apóstolo dos gentios. O véu usado na igreja primitiva era de pano, conforme confirmação do festejado pesquisador: A própria natureza confirma quão próprio é as mulheres usarem véu, tendo dado as mulheres cabelos longos; e isso não em lugar do véu, e, sim, como uma coberta ou mantilha natural, – que é, ao mesmo tempo, uma espécie de véu natural e primário. O véu de pano secundário corresponde ao véu primário dos cabelos, o que serve para mostrar-nos que a própria natureza ensina as mulheres que elas devem colocar o véu. Sim, a própria natureza pôs certo véu sobre a mulher. A igreja cristã deveria aprender essa lição, requerendo que as suas mulheres usem o véu de pano. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 170). Sem resquício de dúvidas, as cristãs primitivas usavam véu como preceito, de pano opaco, longo o suficiente para cobrir totalmente os cabelos, isento de adorno, renda, enfeites, brilhos ou algo semelhante, evitando ofender a Deus, Cristo e os anjos. O uso de rendas, brilhos e enfeites no véu chama a atenção para si, ofuscando a glória do Criador. Assim sendo, usar véu com adornos de renda, curto, véu de filó ou pano fino deixando o cabelo à mostra, segundo o bispo Agostinho de Hipona, é falta de modéstia, pecado de orgulho e violação ao símbolo do preceito, qual seja, submissão a Deus, Cristo e aos anjos presentes nos momentos de adoração, conforme texto da lavra do Patrístico: As mulheres devem usar o véu na igreja e não deve descobrir seus cabelos. Essa é a ordem de Deus a todas as mulheres. Há um comportamento perturbador em relação às mulheres cristãs usar véu. Há uma grave falta de modéstia e pecado do orgulho, os véus são finos que o cabelo pode ser visto através do tecido. Alguns dos véus não conseguem esconder todo o cabelo que viola a ideia original de modéstia e submissão. (Pais da Igreja de Nicéia e Pais pós-Nicéia, 1886, volume1, As confissões e

Cartas de Agostinho – Carta CCXI (423 d.C). Segundo o Patrístico, usar véu de filó é falta de modéstia e pecado de orgulho, em verdade é falta de reverência e violação do preceito. O véu de filó não cumpre o objetivo de cobrir os cabelos, viola o preceito tanto quanto as irmãs sem véu; em ambos os casos, os cabelos ficam à mostra, violando o objetivo do preceito. O véu usado na igreja de Deus é de pano opaco e longo o suficiente para cobrir totalmente os cabelos. No tocante ao tipo de tecido apropriado para os véus, restou comprovado tratar-se de pano opaco, conforme os evidentes, sobejos e irrefutáveis textos apresentados. Em ato contínuo, rechaçam as cristãs usarem véu de filó na igreja de Deus, firmando a convicção de confeccionar véus de pano opaco, cumprindo a finalidade de cobrir totalmente o cabelo da mulher cristã, sob pena de perda do objeto, e longo o suficiente para cobrir totalmente os cabelos, destituído de rendas, variações de cores ou qualquer tipo de enfeite, evitando-se assim ofender as divindades celestiais presentes nos cultos públicos e particulares.

Paulo exigiu o uso do véu como preceito

Como já exposto, o Preceito do véu configura-se uma verdade axiomática. Paulo ordena à igreja de Deus adotar o Preceito do véu, exortando as irmãs usarem o véu em devoção, adoração ou oração. De outro cariz, contrariando os ensinos paulinos e patrísticos, líderes, teólogos e pastores concentram esforços para negá-lo. Contudo, Champlin aduz: É extremamente desonesto dizermos que Paulo não requeria de fato o uso do véu, pois é fato indubitável que ele fazia tal exigência. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 167). O véu foi vastamente difundido no Judaísmo, forçando admitir, com a morte e ressurreição de Cristo, floresceu o Cristianismo absorvendo parte da doutrina judaica,

entre elas o véu. Paulo nasceu judeu, justificando o termo utilizado por Champlin. É extremamente desonesto negar o uso do véu na igreja primitiva como Preceito.

Ainda no mesmo contexto, posta-se provas robustas, alicerçadas na Lei e no Testemunho, escoradas no límpido “assim diz o Senhor”, comprovando o uso do véu na igreja primitiva. Inconformados, pastores e ministros, munidos de vasto arsenal de suposições e comparações, ancoram-se no texto: E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha. I Coríntios 11:15. Tentam, sem sucesso dizimar o Preceito do véu, sob o pífio argumento do cabelo comprido substituir o véu de pano opaco isentando a crente usar o véu. Interpretando o aludido versículo, Champlin, contesta: Tal interpretação só pode ser aceitável para aqueles que manuseiam desonestamente as Escrituras, procurando adapta-las aos seus pontos de vista e as suas práticas. Essas práticas ditam que a mulher não use o véu.

Porém, se tantas mulheres crentes não usam o véu, isso não pode estar firmado no que Paulo diz aqui, e nem sobre a suposição que ele recomendava que bastava as mulheres usarem os cabelos longos para não precisarem mais do véu. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 175). Deveras, somente removendo o contexto, é possível interpretar no aludido texto Paulo recomendar substituir o cabelo natural pelo véu de pano, modelando o ponto de vista ao sabor da natureza pecaminosa. Ademais, as irmãs evangélicas hodiernas não usam o véu devocional de pano, muito menos conservam os cabelos compridos como véu natural; portanto, encontram-se despidas dos dois véus, transgredindo duplamente o áureo Preceito.

Outrossim, vislumbra-se Paulo exortar a mulher cristã cobrir a cabeça com véu; se o cabelo natural ficou em lugar do véu devocional, como alegam, certamente o apóstolo não ordenaria

cobrir a cabeça com véu, porque já estaria coberta com o cabelo. Com efeito, Paulo diferenciou o cabelo natural do véu devocional, escrevendo no verso 6: “ponha o véu”, ou seja, o véu de pano. Se o cabelo é o véu, não precisaria pôr, já estava coberto. Contudo, para consolidar a doutrina apresentada, é mister entender, Paulo jamais ordenaria enfaticamente, por meio dos versos 5 e 6, as mulheres cristãs adotarem o uso do véu e depois concluísse, no verso 15, o cabelo é véu. Dessa forma, além de contrariar a própria argumentação em relação ao uso de véu, colocaria em crise o verso 4: todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra sua própria cabeça I Coríntios 11:4, pois, se cabelo é véu, os homens também estão de véu, orando e profetizando, desonrando a própria cabeça afrontando o Senhor.

O cerne da questão gravita em torno da frase “o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha”. É pertinente descortinar a real intenção de Paulo relativo ao texto. Como visto, a corrente renitente ao preceito do véu argumenta, a mantilha ou véu, foi substituído pelo cabelo natural da mulher. Contudo, perquirindo o Dicionário Bíblico Adventista, encontra-se um texto elucidativo, revelando o sentido da expressão escrita por Paulo: Mantilha. Do gr. Peribolaion, literalmente, o que se põe ao redor. Paulo não quer dizer que a mulher de cabelo longo pode dispensar o véu. O v6 mostra que a mulher sem véu tem cabelo longo, que deve ser cortado se ela deseja dispensar o véu. Ele parece considerar que o cabelo longo não substitui o véu. (DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. V. 6. 1. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 2014. p. 834). A conclusão é límpida: cabelo longo não substitui o véu devocional. Alicerçado no versículo 6, o festejado apóstolo exorta a mulher cristã não dispensar o véu devocional, sob pena de cortar o cabelo natural. Se o cabelo natural é o véu, qual o sentido de cortar o véu (cabelo natural), na linha de colisão com o ensino paulino?

Alinhado com o Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, são os lídimos ensinamentos de Champlin, explicando o original grego atinente à tradução: “em lugar de mantilha”‘, no legítimo contexto, esclarece: …em lugar de mantilha … Embora o original grego permita essa tradução é uma grande perversão do texto sagrado dizer que essas palavras significam que uma mulher não precisa mais de véu, se porventura usa longos os seus cabelos. Pois ninguém pode ler o terceiro versículo em diante desta passagem, onde Paulo tanto insiste sobre a necessidade do uso do véu, expressões da parte de Deus, sendo esse o motivo porque deve ser ela respeitada. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 175). Os dois respeitáveis textos apresentados apontam adulteração de contextos proveniente da corrente opositora ao Preceito do véu. Em nenhum momento Paulo exortou no sentido de o cabelo natural substituir o véu devocional na adoração, louvor, oração e cultos.

Diante do exposto, firmou-se entendimento no sentido de acolher a veracidade inconteste: as irmãs primitivas usavam véu como Preceito, justificando Paulo exigir obediência, ordenando à mulher cristã usar o véu nos cultos, orações e em suas devoções. Contrariando as distorções levantadas por pastores negando o uso do véu, essas alegações são carentes, infundadas e destituídas de qualquer crédito, baseadas em comparações e suposições. O texto seguinte consolida o dever da mulher cristã usar o Preceito do véu: O véu serve a mulher de véu secundário (artificial), que a mulher deve pôr sobre seus cabelos como símbolo da mesma realidade representada pelos cabelos longos. Os cabelos longos da mulher requerem o uso de um véu; não servem de substituto. Se o véu for retirado, a mulher terá também de rapar os cabelos (ver o vs. 6). Seja usado o véu, e este confirmara o significado dos cabelos longos. Os cabelos longos da mulher como que convidam o uso do véu, porquanto as duas coisas encerram o mesmo

simbolismo. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 175). As duas exigências paulinas são criticadas e repelidas nas igrejas modernas, abominam o uso do véu e cabelo longo, cativas ao secularismo, atraem seus costumes, práticas e ídolos na igreja. O apóstolo enfatiza a necessidade da crente usar o véu natural (cabelos longos) e véu secundário (véu devocional), contudo, para os amantes das modas, são Preceitos em desuso.

Em sua infinita insanidade, os amantes dos prazeres voltam-se contra Deus, adulterando contextos, atropelam os ensinamentos apostólicos, permitindo as crentes adorem sem cobrir a cabeça com o véu, valendo-se de outro texto, fincam-se na tese, o cabelo natural é o véu exigido por Paulo, portanto ninguém pode falar o contrário, porque: Se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem a igreja de Deus. I Coríntios 11:16. Neste viés, convém reiterar, são teses carentes de endosse bíblico, contextos deslocados do verdadeiro sentido, escorados na suposição e ilação, com escopo de sustentar ídolos acalentados, vaidades e modas, segundo Champlin: Este versículo também tem sido torcido pelos interpretes modernos, geralmente sem erudição, a fim de lançar por terra todo o argumento de Paulo em favor do uso de cabelos longos e de véu para as mulheres, como se esse apóstolo tivesse dito que se um homem resolvesse levantar objeção por esse motivo, seria melhor esquecer-se completamente da questão. Mas essa interpretação e inteiramente estranha ao contexto inteiro. Paulo não haveria de escrever seus argumentos de muitas facetas, em favor do uso de cabelos longos e do véu para as mulheres crentes, somente para, depois de tudo, dizer que se encontrasse oposição a isso, permitiria as igrejas locais fazerem como melhor lhes parecesse. Esse tipo de interpretação se tem desenvolvido por causa de uma necessidade moderna, que tenta fazer o apostolo dizer o que queremos ouvir, mas que ignora o que realmente ele ensinou. (Champlin,

Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 176). A necessidade

moderna sustenta-se no secularismo, auferindo lucros exorbitantes, em detrimento da sã doutrina e do preparo espiritual dos membros. A necessidade de atrair almas compeliu os algozes a pregar temas agradáveis, criando comichão nos ouvidos, rejeitando Estatutos, Preceitos e Lei, interpretando erroneamente as Escrituras para sustentar sua loucura. Com os lábios arrotam obedecer a Bíblia, em especial o Novo Testamento, com as obras, nega os ensinamentos de Paulo, máxime o uso do véu.

Por fim, Champlin comenta os versos 15 e 16 de I Coríntios, capítulo onze, condenando a interpretação suicida dos estudiosos modernos: É uma interpretação suicida, portanto, fazer os versículos quinze e dezesseis contradizer o ensino geral desta passagem, supondo que os cabelos das mulheres (se forem longos, conforme o texto requer) lhes foram dados em lugar ou em substituição ao véu, tornando desnecessário o uso do véu, conforme algum estudioso tem interpretado o decimo quinto versículo. Igualmente incoerente e contrário ao texto inteiro e aquela interpretação que supõe que, no decimo sexto versículo, Paulo diz que se algum homem desejar levantar objeção acerca dessa questão, Paulo estava disposto a esquecer-se do assunto inteiro, permitindo que as mulheres fizessem como bem lhes entendessem. Não é isso que o decimo sexto versículo ensina. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 170). Como cediço, no capítulo 11 de I Coríntios, Paulo ordena usar o véu; no versículo 16, dispara: “Se alguém contestar, saiba que não é costume da igreja de Deus”. Neste norte, os contestantes não fazem parte da igreja de Deus, justificando a objeção ao preceito do véu e demais preceitos, induzidos pelo maligno, satisfazem os desejos da natureza pecaminosa. Concluindo, o uso do véu faz parte da doutrina

apostólica. Paulo ordenou às irmãs usarem o véu em cultos, adoração, oração, louvor e devoção, estendendo-se o uso do véu até a Igreja Remanescente.

Interpretação de I Coríntios 11:5

É de bom alvitre, salientar a importância da doutrina apostólica entregue aos santos, na Igreja Remanescente. As instruções Paulinas são recepcionadas como mandamento do Senhor, mormente o Preceito do véu, esculpido no verso cinco do capítulo onze do livro de Coríntios. É forçoso enaltecer, os versículos cinco, seis, nove, dez, doze, treze e quinze ensinam dogmaticamente, o dever da mulher cristã usar o véu em oração, culto ou profetizando. Contudo, destaca-se o verso cinco exortando com autoridade: Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque e a mesma coisa como se estivesse rapada. I Coríntios 11:5. Trata-se do inquestionável “Assim diz o Senhor”: a mulher cristã adora, louva, ora e profetiza usando o véu natural, adicionado do véu devocional, em honra a Cristo e aos anjos presentes.

O texto é límpido. A mulher, em adoração, obriga-se usar o véu devocional no serviço da igreja, sob pena de desonra, entendimento compartilhado pelo ilustre Dicionário Bíblico Adventista do Sétimo Dia: Desonra. Uma mulher em Corinto que participasse dos serviços da igreja com a cabeça descoberta daria a impressão de agir de forma vergonhosa e imodesta (ver I Timóteo 2:9). Paulo parece ter argumentado que, ao descartar o véu, emblema reconhecido de seu sexo e posição, ela mostra desrespeito pelo marido, pai, pelo sexo feminino em geral e por Cristo. (DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. V. 6. 1. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 2014. p. 831). Na igreja primitiva, as irmãs adoravam usando os dois véus, conforme ditava o Preceito.

Segundo Clemente de Alexandria, era inconcebível a mulher cristã orar ou adorar sem usar o véu, rechaçando a atitude imodesta, irreverente e condenável.

Urge destacar, os elucidativos textos paulinos não deixam dúvidas: a mulher cristã adorava usando o véu. Retirar o véu devocional em oração, adoração ou profetizando assemelhava-se a raspar a cabeça; portanto, a mulher que não usasse véu nos cultos públicos da igreja primitiva agia como se tivesse raspado a cabeça, porquanto tinha removido um véu necessário, tal como os cabelos longos são uma mantilha necessária para ela. Remover um equivale a remover o outro. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 171). Os ensinos de Champlin se coadunam com os textos paulinos. Remover o véu devocional equivale a remover o véu natural, os cabelos, nos cultos públicos, oração e adoração da igreja primitiva.

Diante das irrefutáveis provas apresentadas, qual motivo impede o uso do véu nas igrejas modernas? A vaidade, modas, secularismo, avareza, chocando-se com a sã doutrina. O empenho em angariar lucro exige aumento do número de membros apostatados. Nesta senda, a insubmissão à exigência paulina não tem respaldo nas Escrituras, firmando-se na conduta social moderna, costumes mundanos e idolatria, desprezando o véu devocional e o véu natural, os cabelos longos, sem sofrer nenhuma punição imposta à rebeldia das mulheres renitentes. Não poderia ser diferente: os pastores e líderes pregam doutrinas agradáveis para satisfazer a natureza pecaminosa, afrontando o Senhor. Reitera-se, portanto, as igrejas cristãs, adaptadas aos modernos costumes sociais, ignoram as salutares instruções de Paulo, adorando o secularismo, curvando-se diante do altar das modas impudicas, desprezando Deus.

Interpretação de I Coríntios 11:6

Como exposto alhures e solidamente comprovado, a mulher cristã primitiva usava duas modalidades de véu. O véu natural, consistindo nos cabelos longos, lustrando glória e beleza. E o véu devocional, de pano opaco, as Escrituras chamam de mantilha. Em complemento ao véu natural, cumpre a mulher crente usar o véu devocional em cultos, oração, adoração e profetizando. Os véus simbolizam sujeição da mulher frente à divindade, haja vista, os anjos participarem dos cultos de adoração dos crentes, sendo eles os guardiões da ordem divina. Assim, por causa deles, a mulher deve mostrar o devido respeito, cobrindo-se com o véu:

Portanto, se α mulher não se cobre com véu, tosquie-se também; se, porém, para a mulher é vergonhoso ser tosquiada ou rapada, cubra-se com véu. I Coríntios 11:6. Na ótica divina, é prática indecente a mulher apresentar-se diante do Senhor na igreja ou no culto doméstico de cabeça raspada. De igual modo, configura ato vergonhoso a mulher apresentar-se diante do Senhor

despida dos dois véus.
Nesse compasso, segundo o Patrístico João Crisóstomo,

bispo de Constantinopla, conhecido como “boca de ouro” por proferir eloquentes sermões, ao comentar este versículo, disse: Se ela despreza a cobertura provida pela ordenança divina, que também desfaça a cobertura provida pela natureza. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 172). Leia-se: se a mulher cristã desprezar a ordem divina, resistindo usar o véu em devoção, também desfaça, ou seja, corte os cabelos naturais. Remover o véu

devocional equivale a remover o véu natural. Na Igreja primitiva, as mulheres usavam o véu como preceito, obedecendo à doutrina apostólica. Se Cristo cravou este preceito na cruz, com certeza os apóstolos seriam os primeiros a ensinar o desuso do aludido preceito. No entanto, o apóstolo Paulo exigiu o uso do véu pelas irmãs em oração, cultos, adoração ou profetizando, confirmando a vigência do preceito, pelo menos para a Igreja Remanescente.

Interpretação de I Coríntios 11:10

Neste particular, emerge o presente versículo, ratificando o vigoroso “Assim diz o Senhor” esculpido em seu bojo, exigindo a mulher cristã usar o véu na presença do Senhor, naturalmente, em adoração, oração, cultos ou profetizando: Portanto, a mulher deve trazer sobre a cabeça um véu, sinal de submissão, por causa dos anjos. I Coríntios 11:10. E explica o motivo, sinal de respeito e submissão aos anjos. Afinal, qual o significado da expressão “por causa dos anjos”? Quais anjos? Perquirindo o Dicionário Bíblico Adventista, encontra-se a resposta: Dos anjos. A explicação mais simples é que Paulo se refere aos anjos bons presentes nas reuniões religiosas públicas e diante de quem as mulheres devem se conduzir com o devido decoro. Os anjos, que possuem uma compreensão exaltada da majestade e grandeza de Deus, velam sua face em respeito quando falam seu nome (ver OE, 178). Qualquer manifestação de irreverência ou desrespeito em reuniões cristãs de adoração não só seria um insulto ao Criador, mas também ofenderia aos anjos. (DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. V. 6. 1. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 2014. p. 834). Apresentando-se diante do Senhor, em reuniões de adoração, sem os véus, natural e devocional, as irmãs omitem obediência ao Preceito divino, configurando manifestação de irreverência, insultando Deus e os anjos assistentes. Os anjos do Senhor guardam somente os fiéis, confirma o Salmista: Os anjos do

Assim, por

causa dos anjos, uma mulher deve cobrir a cabeça como sinal de que está

sob autoridade. I Coríntios 11:10. Caso a mulher, em adoração, cultos, oração ou profetizando não cubra a cabeça com véu, afronta Deus e desrespeita os anjos, recebendo a vergonhosa punição

paulina de raspar a cabeça:

Senhor acampam-se em redor dos que o temem, e os livra. Salmos 34:7. Deveras, anjos são devidamente comissionados para guardar os tementes e obedientes servos do Senhor, afinados com a doutrina confiada aos santos. Portanto, os apostatados, rebeldes e transgressores não gozam da proteção celestial.

De fato, nas reuniões do povo de Deus, anjos relatores lavram relatórios, arquivando-os no livro de memória, base do Juízo de Investigação agregado ao livro da vida e o livro da morte. Presentes nos trabalhos da igreja, anjos relatores serão testemunhas, no dia do juízo, dos atos protagonizados. A estes anjos Paulo se refere no versículo em comento, exigindo das cristãs o uso do véu em sinal de respeito, reverência e submissão. Acredita-se, com respaldo das Escrituras, na presença e nos relatos dos anjos nas reuniões da igreja de Deus nos últimos dias, assemelhando-se ao trabalho angelical na igreja primitiva. Trata- se da mesma igreja batalhando pela fé em obediência à doutrina confiada aos santos (Judas 3). Portanto, sem resquício de dúvidas, as irmãs da igreja primitiva usavam véu nos dias de Paulo em respeito e submissão aos anjos. De igual modo, as irmãs da igreja Remanescente são compelidas a usar o véu pelo mesmo motivo: respeito e submissão a Deus e aos anjos, reverentemente presentes nos cultos da igreja primitiva e nos trabalhos devocionais da Igreja Remanescente.

Se, porventura, as mulher cristã desconsiderar o Preceito divino, apresentando-se nos trabalhos devocionais da Igreja sem véu, configura um insulto a Deus e aos anjos, contrariando o decoro e a modéstia cultivada na igreja cristã em todos os tempos, afrontando deliberadamente as divindades presentes nas reuniões. É imperioso salientar, após o martírio dos apóstolos, as mulheres cristãs continuaram usando o véu em sinal de respeito e submissão aos anjos, segundo relatos de João Crisóstomo, bispo de Constantinopla: Os anjos estão presentes aqui. Abra os olhos da fé e

olhai para esta visão. Porque, se o ar está cheio de anjos, quanto mais à igreja!… Ouve o Apóstolo ensina isso, quando ele ordena que as mulheres cubram a cabeça com um véu por causa da presença dos anjos. (João Crisóstomo (347-407 d. C. em um sermão na Festa de Ascensão). Desconsiderar o preceito do véu na igreja primitiva, era inadmissível, tanto pela igreja como pelos anjos, conforme se entende dos relatos patrísticos: Os anjos acham que é eternamente difícil de suportar se essa lei [que as mulheres cobrem suas cabeças] é desconsiderada. (Cirilo de Alexandria (375-444 d.C.), Comentando Primeira Epístola aos Coríntios). Anjos são seres dotados de natureza divina, reverenciam a face de Deus com louvor, não suportam rebeldia, apostasia, idolatria e afronta. Reuniões devocionais da igreja de Deus, celebradas ao arrepio da lei, compelem os anjos se retirarem, recusando-se participar de trabalhos contrariando a ordem divina, dilapidando a sã doutrina. Igrejas apostatadas celebram cultos idólatras com o escopo de angariar pecúnia; em tais reuniões, os anjos presentes são de Satanás, fomentando balbúrdia, gritos e êxtase para suprir a carência do Espírito Santo de Deus, conformando o crente no esgoto do pecado.

Sedimentando as provas apresentadas, vislumbra-se a doutrina do véu avançando no tempo, transcendendo da igreja primitiva, alcançando a Reforma Protestante e o grande reavivamento espiritual do século XVIII e XIX. A doutrina do véu foi acolhida na Reforma Protestante em sujeição aos anjos presentes nos cultos. Ao romper com a igreja Católica, Lutero alinhou-se com a doutrina da igreja primitiva. O grande reformador, Martinho Lutero, defendeu, ensinou e instituiu o Preceito do véu na Reforma, dizendo: “Que a cobertura para a cabeça é uma proteção que não está fora do relacionamento com Deus. Ao cumprir os comandos, as mulheres têm uma sensação de paz e amor em suas relações com Deus.” Na visão de Lutero, o relacionamento com

Deus passa pelo uso do véu, compelindo a mulher cristã usar o véu em devoção, ou, segundo o festejado Reformador, “cumprir os comandos”.

Outra figura imponente desse período adotou o Preceito do véu: trata-se de Carlos Spurgeon. Nos eloquentes sermões doutrinários, teceu relevantes comentários acerca do uso do véu pelas mulheres cristãs de sua época: A razão pela qual nossas irmãs aparecem na casa de Deus, com a cabeça coberta é” por causa dos anjos. “O apóstolo diz que a mulher deve ter uma cobertura sobre a sua cabeça por causa dos anjos, uma vez que os anjos estão presentes na montagem e marcam cada ato de falta de decoro e, portanto, tudo está a ser conduzido com decência e ordem na presença dos espíritos angélicos. (Carlos Spurgeon- Sermão Efésios 3:10, no Tabernáculo Metropolitano, Newington – Londres, Volume 8, página 263, 04 de maio de 1862). Como cediço, Lutero e Carlos Spurgeon pesquisaram arduamente a igreja primitiva, garimpando verdades esquecidas, neste particular, resgataram a doutrina apostólica. No supracitado texto, alinharam-se com a doutrina Paulina, ordenando as irmãs usarem véu em sujeição aos anjos, reforçando a obrigação da mulher cristã cobrir-se com véu, conservando decência, ordem e decoro na presença dos seres celestes. Por outro lado, a irmã promove completa desordem se frequentar a igreja sem véu.

Ainda no mesmo contexto, diga-se, próximo ao Adventismo, surgiu John Wesley, fundador do Metodismo, endossou a doutrina Paulina vastamente difundida por Lutero na Reforma, exortando a mulher cristã usar véu em sujeição a Deus e aos anjos. Na ótica de Wesley, o uso do véu assemelha-se ao crachá de sujeição da mulher cristã: “… se uma mulher não está coberta – se ela vai jogar fora o crachá de sujeição, deixá-la aparecer com o cabelo cortado como um homem. Mas, se é vergonhoso para uma mulher a aparecer, assim, em público, especialmente em uma assembleia religiosa, deixá-la, pelo mesmo motivo, mantenha o véu “… “Por isso também uma mulher deve ser velada em

assembleias públicas, por causa dos anjos – que assistem ali, e diante do qual eles devem ter cuidado para não fazer nada indecente ou irregular.” (John Wesley (1703-1791 d.C – de John Wesley Comentários Bíblicos). Como visto, a doutrina do véu não quedou-se restrita à igreja Primitiva, foi acolhida na Reforma, no Reavivamento espiritual próximo ao Adventismo e na igreja Remanescente, conforme comprovam os supracitados textos. Lutero, Carlos Spurgeon e John Wesley ordenaram as irmãs usarem o véu em submissão aos anjos, seguindo os sólidos ensinamentos paulinos.

Por fim é forçoso concluir, a mulher deve usar o véu de pano opaco em respeito aos anjos e não para casar com Cristo usando véu de filó, ou transparente.

Interpretação de I Coríntios 11:13

Saliente-se, por oportuno, o presente estudo configura-se hígido, modelado ao sabor da Lei, escritos Paulinos no Novo Testamento, Testemunhos Patrístico, Reforma Protestante e ícones do Reavivamento espiritual próximo ao Adventismo, comprovando de forma inconteste a vigência da doutrina do véu; destarte, as servas de Deus usaram véu como preceito no lapso de tempo compreendido da igreja primitiva aos Pioneiros Adventistas, dessumindo-se impossível refutar esta verdade axiomática.

Contudo, existe entendimento contrário: os céticos, amantes do secularismo, resistem ardilosamente à doutrina do véu, adorando modas, curvam os joelhos diante do modernismo social, criando comichão no ouvido, desprezam a verdade. Diante dos fatos, o apóstolo pergunta: Julgai entre vos mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu? I Coríntios 11:13. Os andarilhos do caminho largo respondem sim; em sua ótica, é próprio à mulher apresentar-se diante do Senhor sem o véu natural e devocional,

ignorando completamente as Escrituras. Alicerçados em suposições e comparações, desprezam o sólido Preceito, cativos aos costumes sociais do mundo, seguem outro padrão, divorciados de Deus em completa apostasia, fomentam o Evangelho limpa- bolsas. Noutro giro, os servos de Deus, peregrinos do caminho estreito e membros da Igreja Remanescente, respondem não; em sua visão, não é conveniente a mulher orar a Deus despida do véu natural e devocional, configurando irreverência, imodéstia e rebelião contra o Senhor e os anjos presentes nas reuniões, escorados na doutrina Paulina, igreja primitiva, Reforma, ícones do Reavivamento Espiritual e Igreja Remanescente fundamentada nas Escrituras: A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada. I Pedro 1:25. A doutrina apostólica, à guisa das Escrituras, é semelhante a Deus, não muda: Porque eu, o Senhor, não mudo, por isso, vós, ó filhos de Israel, não sois consumidos. Malaquias 3:6. A malsinada obra de adulterar textos das Escrituras para sedimentar apostasia nas igrejas evangélicas é prática extremamente perigosa, atraindo a ira de Deus sobre os filhos rebeldes, suportando o peso do seu juízo.

Diante de provas robustas, com envergadura da doutrina Paulina estendendo-se à Igreja Remanescente, vislumbra-se a solidez e vigência do Preceito do véu, obrigando as servas do Senhor adorar cobertas de véu. Deus não mudou sua doutrina; resta observar: Jesus acompanhou o modernismo social? Mitigou ou dilapidou a doutrina apostólica? Segundo as Escrituras Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. Hebreus 13:8. Portanto, nem Deus, muito menos Jesus Cristo, removeram o preceito do véu ou declinaram sua vigência. Exigem obediência ao preceito do véu e outros preceitos agregados à sã doutrina; os adoradores de lábios desconhecem o Senhor, alheios à doutrina, porque aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele,

verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. I João 2:4-5. O Senhor não mensura o cristão por palavras, professando amar a verdade com os lábios, mantendo o coração distante, adorando o mundo e seus ídolos. Assim falai, assim procedei. O servo de Deus prova lealdade defendendo a sã doutrina e guardando Estatuto, Preceitos e Leis por amor, proveniente da natureza divina alocada no coração penitente.

Voltando à pergunta de Paulo, é apropriado a mulher cristã orar ou profetizar na presença de Deus e dos anjos, sem cobrir-se com o véu? Com efeito, diante de todo o exposto, seguramente a resposta é não. A mulher exerce direito de orar e profetizar na igreja, contudo, cobrindo-se com véu. Na mesma linha, convergem os elucidativos ensinos acostados no Dicionário Bíblico Adventista, confirmando a exigência paulina do uso do véu pelas irmãs cristãs nos cultos: Próprio Do gr. Prepon, apropriado, correto. Mesmo que não fosse o costume do país, as mulheres deveriam usar o véu ao participar de cultos públicos, pois esse momento de solenidade o exigia. Se não o fizesse, poderiam desviar a atenção de outros. Além disso, criaria uma impressão errada na mente de um pagão que testemunhasse o culto. (DORNELES, Vanderlei. Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. V. 6. 1. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 2014. p. 834). Eis uma prova contundente ratificando a doutrina do véu como Preceito: o uso do véu excedia a cidade de Corinto. Mesmo não havendo costume de usar véu em determinado país ou cidade, se aceitasse o cristianismo, a mulher era compelida a obedecer ao Preceito do véu no culto público, oração e adoração. Durante todo o percurso do presente estudo, as Escrituras comprovaram o direito da mulher orar e profetizar na igreja de forma apropriada, usando o véu. Paulo chama a atenção do leitor, sedimentando o direito da mulher orar e profetizar usando os dois véus: o véu natural, cabelos longos, e o véu devocional de pano opaco. Como visto alhures, evitando véu transparente (filó). Nesta linha, é o entendimento de

Champlin, explicando o sentido da pergunta de Paulo, como se pode notar: Paulo faz duas perguntas (ver este e o próximo versículo) a fim de confirmar o seu argumento. Primeiramente ele apela para o senso de propriedade dos seus leitores, quando e seria e tranquilamente investigado esse senso (ver o decimo terceiro versículo). E em seguida apela para a propriedade demonstrada pela própria natureza (ver o décimo quarto versículo), que cobriu a mulher com um ≪véu≫ natural, isto e, com cabelos longos, mostrando assim quão decoroso e próprio e o uso do véu de pano. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 173). Restou confirmado: a mulher obriga-se a usar o véu natural, cabelos longos, e o véu devocional, de pano opaco. Os cabelos femininos não podem ficar à mostra diante dos anjos, em sinal de submissão e decoro.

Para sedimentar a verdade axiomática, vale enaltecer o testemunho vivo das gravuras esculpidas nas catacumbas de Roma, palco de reuniões e cultos dos antigos cristãos, continuam preservadas, testemunhando as crentes primitivas usando longos cabelos e adorando com véu de pano cobrindo completamente os cabelos. Esta prova inconteste reitera a obediência universal ao Preceito do véu na igreja cristã primitiva; não se cogitava, em hipótese alguma, mudar a norma em nome da facilidade ou exigências sociais. Como dizia John Wesley: “Não podemos baixar as normas, ou vocês se elevam até elas, ou hão de perecer para sempre.” Em sede de confirmação do alegado, vislumbra-se o elucidativo texto da lavra de Champlin: Nas catacumbas de Roma, as gravuras ali existentes sobre os cultos públicos dos cristãos mostram os homens de cabelo curto e as mulheres com véus apertados em volta da cabeça, que ocultavam completamente os seus cabelos. Esse é o tipo de cena que se poderia ver nas igrejas cristas de todo o mundo greco-romano daquela época, incluindo Corinto. Paulo, pois, apelou para quão

apropriada é essa pratica universal, não se inclinando ele para aceitar desafios a fim de disputar acerca de modificações nessa pratica. (Champlin, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: versículo por versículo. V. 4. 1. ed. Ed. Hagnos, 2000, p. 176). O elucidativo texto deita por terra a tese esdrúxula de Paulo ordenar o uso do véu apenas na igreja de Corinto. No teor do texto apresentado, o uso do véu é prática universal, obedecida em todas as congregações vinculadas à igreja cristã no mundo, estendendo- se aos últimos dias na Igreja Remanescente; portanto, impossível alterar a norma.

Sem resquício de dúvidas, o uso do véu devocional tem o condão de respeitar os anjos e cobrir completamente os cabelos naturais da mulher. Nesta senda, o véu de filó ou renda são inadequados, haja vista, mesmo cobrindo a cabeça (véu de filó), os longos cabelos continuam à mostra, contrariando o objeto do Preceito. Eis o motivo de a Palavra exigir véu longo o suficiente para cobrir todo o cabelo, confeccionado com tecido de pano opaco, rejeitando completamente filó, linho fino ou renda.

Os Pioneiros Adventistas

Finalmente, convém tecer alguns comentários acerca dos Pioneiros Adventistas em relação ao preceito do véu, ratificado à luz do texto Paulino. Indubitavelmente, opositores do aludido preceito apontam Ellen White e os Pioneiros indiferentes ao uso do véu na igreja, considerando o Preceito do véu uma carga pesada e dispensável. Contudo, como cediço, os Pioneiros construíram paulatinamente a nobre doutrina Adventista, agregando descobertas extraídas das jazidas da igreja primitiva, lapidando as verdades nos pormenores, lustrando a doutrina Adventista. No princípio da formação, a igreja Adventista assemelhava-se doutrinariamente à igreja apostólica. Contudo, apesar da chuva

serôdia gotejar na igreja Adventista nos dias dos Pioneiros, a Associação Geral rejeitou a mensagem enviada por Deus referente à justificação pela fé na Conferência Geral de Minneápolis, 1888, forçando o Senhor recolher a luz celestial, cerrando a revelação de novas luzes adicionais. O aludido episódio causou fissuras no ministério, forçando Ellen White afastar-se da direção da igreja até sua morte em Santa Helena, Califórnia, em 1915. Iluminada pelo Espírito, dedicou-se a escrever e profetizar apostasia e queda da igreja Adventista do Sétimo Dia, culminada na década de 50, aliando-se com evangélicos para ingressar na sociedade ecumênica de igrejas dos Estados Unidos, visando crescimento econômico, social e político, em detrimento da verdade confiada aos santos, sacrificando parte da doutrina recebida. Com esse enfoque, convém analisar a doutrina do véu, agregando um tema conexo. Perquirindo minuciosamente a doutrina Adventista, vislumbra-se os Pioneiros enfrentarem a polêmica querela abordando o direito da mulher falar na igreja, amparados no texto Paulino: As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. E, se quiserem aprender alguma coisa, interroguem em casa a seus próprios maridos; porque é vergonhoso que as mulheres falem na igreja. I Coríntios 14:34-35. Na epístola escrita a Timóteo, o apóstolo Paulo aborda a temática de forma contundente: A mulher aprenda em silencia, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. I Timóteo 2:11-12. Os Pioneiros Adventistas enfrentaram o tema pressionados, considerando a posição de Ellen White na igreja, mulher, profetisa, escritora, pregava na igreja, ensinava e participava de decisões ministeriais. Destarte, é forçoso esclarecer. Via de regra, as mulheres primitivas eram relegadas a segundo plano, privadas de confrontar homens e chamar atenção em público, sujeitas ao marido, conforme o encimado texto de I Timóteo. Contudo, existe uma exceção: o

Senhor reservou oportunidade para a mulher cristã orar e profetizar, exigindo usar o véu. O dom da profecia autoriza pregar em público por inspiração divina, assim sendo, a mulher profetisa tinha o condão de pregar na igreja, transmitindo a mensagem do Senhor ao povo, a exemplo de profetisas do Velho Testamento, Novo Testamento e Ellen White.

Após detida análise, perquirindo Velho e Novo Testamento, Tiago White concluiu pela possibilidade da mulher profetizar na igreja e orar em público, escorados em outro texto Paulino: Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça, porque e a mesma coisa como se estivesse rapada. I Coríntios 11:5. O aludido texto, esteio da tese, traz à lume o direito da mulher profetizar e orar na igreja, contudo, esboça uma condição: a obrigação de usar o véu. Destarte, foram compelidos a comentar o versículo, justificando o direito de a mulher falar em público e reconhecer o dever de usar o véu. Toma-se, por exemplo, o comentário de Tiago White, citando: I Coríntios 11:5, admitindo a mulher orar e profetizar na igreja: Em 1 Coríntios 11: 5 , etc. Aqui o apóstolo admite que a profecia de mulheres nas assembleias públicas e dá especial direções respeitando o seu comportamento e aparência, enquanto envolvidos nesse dever sagrado. “Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça. Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça , etc.” Aqui eu acho que o apóstolo reconheceu o profetizar público das mulheres. (Tiago White, Advent Review and Sabbath Herald, vol. 15, 02 de fevereiro de 1860, p. 87). Paulo discute a questão do véu em relação ao serviço religioso, abrindo um precedente para a mulher profetizar e orar em público. Nenhum líder se atreveria impedir a mulher de profetizar em público, inspirada pelo Espírito Santo. Portanto, a tese condenando radicalmente a mulher profetizar na igreja é temerária; existe uma exceção: profetizar em público é pregar, dotada do Espírito Santo.

Como exposto alhures, o Velho Testamento enriquece a literatura eclesiástica, testemunhando o direito da mulher orar e profetizar em público. Profetizar traduz-se em pregar ao povo, iluminada [e mais, inspirada] pelo Espírito Santo, a exemplo da profetisa Hulda, contemporânea do piedoso rei Josias, coroado ao trono de Judá com apenas oito anos de idade, conduziu o povo a trilhar o reto caminho do Senhor.

Nesse compasso, o iluminado rei Josias herdou um reino infectado de idólatras, beirando apostasia, o Templo abandonado, o culto do Senhor esquecido e o povo adulterando com ídolos pagãos. No seu reinado, o templo foi restaurado. Em plena reforma, o Sumo Sacerdote encontrou o livro da Lei, no capítulo 28 do livro de Deuteronômio: Então, disse o sumo sacerdote Hilquias ao escrivão Safã: Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor. Hilquias entregou o livro a Safã, e este leu. II Reis 22:8. De posse do livro, em ato contínuo, o secretário conduziu a novidade ao rei Josias, lendo diante do monarca a sentença do Senhor, prestes a dizimar Jerusalém em virtude da apostasia do povo: Tendo o rei ouvido as palavras do Livro da Lei, rasgou as suas vestes. II Reis 22:11. Desesperado, Josias ordenou a Hilquias arrebanhar uma comissão sacerdotal e consultar a profetisa Hulda acerca do Livro do Senhor. Ele disse: Ide, e consultai o Senhor por mim, pelo povo e por todo o Judá, acerca das palavras deste livro que se achou; porque grande é o furor do Senhor, que se acendeu contra nós; porquanto nossos pais não deram ouvidos às palavras deste livro, para fazerem conforme tudo quanto acerca de nós está escrito. Então foi o sacerdote Hilquias, e Aicão, Acbor, Safã e Asaías à profetisa Hulda, mulher de Salum, filho de Ticvá, o filho de Harás, o guarda das vestiduras (e ela habitava em Jerusalém, na segunda parte), e lhe falaram. II Reis 22:13-14. O supracitado texto comprova o direito da mulher profetizar e pregar em público, agraciada pelo Espírito de Deus no Velho Testamento. Portanto, o direito da mulher profetizar em público não é regalia do Novo Testamento. Neste

norte, a igreja Remanescente reserva o direito da mulher profetizar na igreja e não dispõe de autoridade para subtrair o direito da mulher profetizar nos últimos dias.

Ademais, segundo a cronologia bíblica, existiam profetas exercendo o ministério na época do destacado episódio, exatamente no 18o ano do reinado de Josias: No décimo oitavo ano do seu reinado, o rei Josias mandou o escrivão Safã, filho de Azalias, filho de Mesulão, à Casa do Senhor. II Reis 22:3, O ministério do profeta menor Sofonias encontrava-se em pleno vapor nos gloriosos dias do fiel rei Josias: Palavra do Senhor que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá. Sofonias 1:1, Assim como o festejado profeta maior, Jeremias: Palavra de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes que estavam em Anatote, na terra de Benjamim; a ele veio a palavra do Senhor, nos dias de Josias, filho de Amom rei de Judá, no décimo terceiro ano do seu reinado. Jeremias 1:1-2. Diante do exposto, vislumbra-se os dois profetas contemporâneos da profetisa Hulda, exercendo seus ministérios, entretanto, a comissão sacerdotal preferiu consultar a profetisa Hulda: Então, o sacerdote Hilquias, Aicão, Acbor, Safã e Asaías foram ter com a profetisa Hulda, mulher de Salum, o garda-roupa, filho de Ticva, filho de Harás, e lhe falaram. Ela habitava na cidade baixa de Jerusalém. IIRs 22:14; II Cr 34:22, comprovando não existir supremacia entre profeta masculino e feminino, depende de qual profeta o Senhor escolheu para transmitir a mensagem. É forçoso inferir, diante dos fatos, as profetisas eram respeitadas tanto quanto os profetas homens.

Outra profetisa de destaque, lustrando as páginas do Velho Testamento, é Miriã, irmã de Moisés e Arão. Cumprindo ordem divina, prestou relevante serviço na condução do povo hebreu, auxiliando seus dois irmãos: pois te fiz sair da terra do Egito e da casa da servidão te remi; e enviei diante de ti Moisés, Arão e Miriã . Miquéias

6:4. Miriã figurava entre os líderes à frente do povo, com os dois irmãos Moisés e Arão, e recebeu do Senhor o glorioso dom de profetizar, cantar e tocar: A profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e com danças. Êxodo 15:20. Profetizar outorga o direito de transmitir ao povo a mensagem do Senhor, papel fielmente protagonizado por Miriã. Contudo, com a chegada de Zípora, esposa de Moisés, Miriã voltou-se contra Moisés, suportando severo castigo do Senhor, ferida de lepra.

No ilustrativo livro de Juízes, o Senhor unificou a força do juiz Baraque com a iluminação da profetisa Débora para libertarem Israel da opressão. Juntos, julgaram Israel em tempos difíceis: Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo. Ela atendia debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim; e os filhos de Israel subiam a ela a juízo. Juízes 4:4-5. Na época dos Juízes, não havia rei constituído. O povo de Israel dependia de julgamento dos Juízes; pendências acerca da lei, conflitos sociais e a vontade do Senhor eram levados perante a profetisa e juíza Débora para consulta e resolução de conflitos. Uma mulher exercendo cargo de liderança e grande responsabilidade não era regra, tratava-se de exceção. O Espírito do Senhor repousava sobre Débora, favorecendo-a profetizar e julgar o povo com justiça, aplicando a Lei.

É forçoso concluir, os israelitas confiavam nos profetas, indiferentes ao sexo, fato comprovado pelo Juiz Baraque, se recusou subir à batalha sozinho contra o rei de Canaã, Jabim, e Sisara, comandante do exército inimigo: Então, lhe disse Baraque: Se fores comigo, irei, porém, se não fores comigo, não irei. Ela respondeu: Certamente, irei contigo, porém não será tua a honra da investida que empreendes; pois às mãos de uma mulher o Senhor entregará a Sisera. E saiu Débora e se foi com Baraque para Quedes. Juízes 4:8-9. Débora conduziu o exército de Israel unida a Baraque, vencendo a batalha,

cumpriu-se a palavra do Senhor por seu intermédio, da forma profetizada. O exuberante exemplo ratifica a utilização de instrumento feminino como profetisa, Débora profetizou e julgou Israel em nome do Senhor, o Deus de Israel. No Velho Testamento não há proibição impedindo mulher exercer o ministério profético, falando publicamente ou de liderança.

De igual modo, brilhantes textos do Novo Testamento trazem à baila testemunhos de consagradas profetisas laborando na obra do Senhor, toma-se, por exemplo, a profetisa Ana, segundo narrativas do apóstolo: Havia uma profetisa, chamada Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, avançada em dias, que vivera com seu marido sete anos desde que casara e que era viúva de oitenta e quatro anos. Esta não deixava o templo, mas adorava noite e dia em jejuns e orações. E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. Lucas 2:36-38. A venerável idosa dedicou sua vida ao Senhor, exerceu o dom profético outorgado às mulheres piedosas. O Senhor não mensura o dom profético pelo sexo, mas pela consagração. Ana frequentava fielmente o Templo, atenta aos cultos matutino e vespertino, aguardando o Messias junto com Simeão.

A narrativa do texto revela, com riqueza de detalhes, a dedicação da idosa profetisa, assídua frequentadora do Templo, servia ao Senhor com jejum e orações, pregando diariamente ao povo. Destarte, profetizava no Templo. Embora alguns religiosos refutem a tese, invocando proibições das mulheres entrarem no Templo, a Lei autorizava as mulheres frequentarem apenas a porta do Templo, segundo o texto do Pentateuco: Fez a bacia de bronze, com o seu suporte de bronze, dos espelhos das mulheres que se reuniam para ministrar à porta da tenda da congregação. Êxodo 38:8. No teor do texto apresentado, se aplicar a regra hoje, as mulheres permanecem à porta da igreja, proibidas de entrar e participar do culto. Na organização do Templo, o Senhor delimitou espaços,

separando homens e mulheres, semelhante às regras utilizadas hodiernamente, portanto, Ana profetizava no templo em espaço reservado aos profetas.

Por fim, resta apresentar um texto esculpido no livro de Atos, revelando informações valiosas, Paulo comenta acerca das quatro profetisas filhas do diácono Filipe, onde estava hospedado: No dia seguinte, partimos e fomos para Cesareia; e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. Tinha este quaro filhas donzelas, que profetizavam. Atos 21:8-9. Profetizar significa anunciar em nome de Deus. As filhas de Filipe receberam o mais desejável dom do Espírito. Ademais, o profeta Joel previu o derramamento do Espírito, concedendo dom de profetizar nos últimos dias, favorecendo homens e mulheres, portanto, é difícil crer Paulo proibindo as mulheres profetizarem em nome do Senhor na igreja, contrariando as sagradas Escrituras.

Os aludidos textos exibem aparente contradição, de um lado, vislumbra-se o festejado apóstolo, supostamente proibir a mulher ensinar, falar, profetizar em público, disciplinando o comportamento na igreja, de outro giro, as Escrituras exibem mulheres profetizando publicamente, orando, exercendo cargo de juíza e conduzindo Israel em guerra. Com efeito, analisando a situação de Corinto, dessume-se Paulo orientando a igreja no sentido das mulheres permanecerem caladas, reservando as dúvidas contraídas no sermão para diluí-las em casa, evitando interromper o pregador. Na igreja de Corinto havia um infortúnio, mulheres pagãs novas convertidas, falavam em voz alta interrompendo o pregador, desta forma, Paulo impôs decência e ordem, exortando as irmãs permanecerem caladas nos cultos, disciplinando o comportamento imprudente e desonrosos das mulheres cristãs.

Reforçando o alegado, vislumbra-se o histórico do povo Hebreu no Velho Testamento e Novo Testamento confirmando o

entendimento de Tiago White, permitem a mulher orar e profetizar publicamente na igreja, cumprida a exigência de usar o véu. Assim sendo, o contexto apontado por Paulo rechaçando a mulher profetizar não procede, confronta o texto colecionado, destarte, é aceitável inferir, Paulo exorta a mulher permanecer calada na igreja no sentido de não exorbitar as funções do homem, não interromper as pregações, nem fomentar disputas ou confrontar textos no culto, permanecendo calada durante o serviço religioso, reservando a dúvida para posterior esclarecimentos no lar com o marido. Haveria contradição se Paulo proibisse a mulher profetizar em um texto e autorizar orar e profetizar em outro texto, exigindo apenas o uso do véu.

Enfim, alcançamos a última fase da Igreja, o tempo do fim, nos moldes da profecia de Joel, o Espírito Santo será derramado generosamente sobre homens e mulheres. Assim sendo, insta tomar a irmã White por exemplo, pregava, ensinava e profetizava (quem profetiza é instrumento do Espirito Santo, transmitindo a mensagem à igreja). O dom se refere à pregação e instrução pública utilizando instrumento inspirado, Ellen White escrevia, profetizava e participava de reuniões da Associação Geral da Igreja Adventista. O Senhor derramou luz específica para cada fase da igreja e cada um responde pela luz recebida: Somos responsáveis pelos privilégios que desfrutamos, e pela luz que incide em nosso caminho. Os que viveram nas gerações passadas foram responsáveis pela luz que lhes foi concedida. Sua mente foi despertada acerca de vários pontos da Escritura que lhes serviram de prova. (WHITE, Ellen Golden. Testemunhos para a Igreja. V. 2. 1. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 2015. p. 692). Nesta senda, a igreja ou os responsáveis pela luz recebida não prossigam além da iluminação refletida das Escrituras: E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra o outro. I

coríntios 4:6. Convém ressaltar: exceder à luz recebida ou exorbitar os textos das Escrituras corre o iminente risco de fomentar um Evangelho anátema, diferenciando-se dos escritos apostólicos.

A irmã White pregava a verdade com autoridade, ensinava e repreendia a igreja quando necessário. Se Deus derramou Seu Espírito sobre ela, com certeza autorizou Sua serva orar, profetizar e ensinar; caso contrário, não teria sentido o Senhor derramar luz sobre a irmã White e, ao mesmo tempo, impedi-la de falar ao povo ou à igreja. Ela exerceu o ministério profético zelosamente, pouco importando quantos se ofendiam, atingidos por suas repreensões: Muitos têm se ofendido porque tenho falado francamente, mas isso tenho de continuar a fazer, se Deus pôs essa responsabilidade sobre mim.

Deus requer que aqueles que ocupam posição de responsabilidade sejam consagrados ao trabalho; pois se eles agem erradamente, o povo se sente na liberdade de seguir suas pegadas. Se o povo estiver em falta e os líderes não erguerem sua voz contra isso, sancionam o erro e o pecado lhes é atribuído assim como aos ofensores. (WHITE, Ellen Golden. Testemunhos para a Igreja. V. 2. 1. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 2015. p. 37). À guisa das Escrituras, Ellen White não tolerava erros fatais, reprendia líderes e membros, zelando pela doutrina confiada aos santos, incomodando os apostatados.

Apesar de ocupar lugar de honra na Igreja Adventista do Sétimo Dia, a irmã White humildemente apoiou a mensagem proclamada por Waggoner e Jones em Minneapolis no ano de 1888, a mensagem da justiça de Cristo. Contrariando a maioria da igreja e os membros da Associação Geral, ela saiu em defesa da verdade, testemunhando em seu favor, como se pode notar: Eu considero como grande privilégio estar ao lado dos meus irmãos e dar o testemunho para a mensagem deste tempo. R&H 18.3.1890. (MEYER, W. Minneápolis 1888. 1. ed. Ed. Educativa, 2001. p.25). Em resposta, a Associação Geral recusou a mensagem do seu tempo, a Justiça de Cristo, enviando Ellen White para a Austrália e

Waggoner para a Inglaterra, separando os três esteios da coroada mensagem, para enfraquecer o movimento e sufocá-lo até a morte. Na Conferência Geral de Minneapolis, 1888, o irmão Kilgore pediu a interrupção da conferência porque o presidente George I. Butler estava ausente, com a esposa doente, então: A irmã White, que estava sentada no estrado, levantou-se. Quando lhe foi dada a palavra disse: Irmãos, esta é a obra do Senhor. Deverá a obra do Senhor espera pelo irmão Butler? (MEYER, W. Minneápolis 1888. 1. ed. Ed. Educativa, 2001. p.22). No supracitado texto, vislumbra-se a efetiva força de liderança promovida por Ellen White na Igreja Adventista. Na falta do presidente, a irmã White convocou os irmãos e prosseguiu com a famigerada Conferência de Minneapolis de 1888. Este exemplo comprova a força de Ellen White no adventismo,

exercendo o dom profético e pregando ao povo.
Dito isso, convém dissipar qualquer resquício de dúvidas

quanto à irmã White testemunhar em público. Eis um texto contundente: Repetidamente dei o meu testemunho perante os reunidos duma maneira clara e inequívoca, mas o testemunho não foi aceito. Quando fui a Battle Creek, repeti o mesmo testemunho na presença do irmão Butler. Deus não me chamou para fazer esta grande viagem, para vos falar se estais sentados e duvidais da sua mensagem e se a irmã White ainda é a mesma dos anos passados. 1888 Sermões 53. (MEYER, W. Minneápolis 1888. 1ed. Ed. Educativa, 2001. p.26). Em Battle Creek, localizava-se o centro da obra. Ellen White pregou na congregação e exortou a igreja.

Com efeito, a irmã White pregava ou exortava motivada pelo Espírito Santo e, consequentemente, com aprovação divina, como se pode notar no texto delineado: O Espirito do Senhor esteve na reunião. O Senhor me deu liberdade na exortação. (WHITE, Ellen Golden. Mensagens Escolhidas. V. 3. 1. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 1987. p. 263). O texto aparenta confrontar os

supracitados textos da lavra de Paulo; contudo, Ellen White encontrava-se acobertada pela cláusula de exceção. O Senhor permitiu à mulher orar e profetizar em público.

A calamitosa vida da irmã White foi repleta de labor e incansável zelo na pregação da doutrina, compelida enfrentar a direção da igreja quando agia de forma contrária aos planos divinos. Toma-se, por exemplo, os fatos ocorridos em Minneapolis, quando a Associação Geral rejeitou a doutrina da Justiça de Cristo. Ellen White e Waggoner foram enviados para terra estrangeira com o desiderato de apagar a tocha da verdade, obstruindo os efeitos das pregações sobre o povo adventista. Dez anos depois, a irmã White voltou da Austrália. O estado da igreja Adventista era caótico, forçando a profetisa afastar-se das reuniões públicas da igreja, evitando confrontar os membros rebeldes da Associação Geral: A minha voz foi ouvida em várias conferências e reuniões campestres. Agora devo proceder de outra maneira. Não posso me entregar a atmosfera de discussões e depois dar testemunhos que me custam muito mais do que podem imaginar aqueles para as quais são. Se eu participar nas diversas reuniões, estou abrigada a discutir com homens responsáveis, dos quais sei que não desempenham uma influência segundo a vontade de Deus. Carta W 189, 1902. (MEYER, W. Minneápolis 1888. 1.ed. Ed. Educativa, 2001. p.84). A voz de Ellen White era ouvida nos cultos, festas campais e reuniões de Conferência. Todavia, as divergências com membros da Associação Geral foram determinantes na decisão de Ellen White afastar-se da obra; Deus não guiava mais a Igreja.

Como exposto, as mulheres galgaram o direito de orar e profetizar publicamente, respeitando os limites delineados nas Escrituras. Se houver homens na igreja, a eles cabe o direito e dever de dirigir os trabalhos; contudo, em cultos domésticos, as mulheres assumem a direção dos trabalhos na ausência dos maridos. Toma-se, por espelho, a família Wesley: Nunca se omitia o

culto doméstico da programação do dia no lar de Samuel Wesley. Fosse qual fosse a ocupação dos membros da família, ou dos criados, todos se reuniam para adorar a Deus. Na ausência do marido, Susana, com o coração aceso pelo fogo dos céus, dirigia os cultos. (BOYER, Orlando. Heróis da fé. 55.ed. Ed. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, 2016, p. 51). Não há proibição para a mulher dirigir os cultos domésticos na ausência do marido, cumprindo a determinação divina de nunca negligenciar a celebração do culto matutino e vespertino, agradecendo ao Senhor pelos favores recebidos.

Na mesma esteira, são os lídimos ensinamentos da irmã White: o pai exerce o direito de dirigir o culto doméstico e, na ausência, a obrigação recai sobre a mãe: O pai e, em sua ausência, a mãe, deve dirigir o culto, buscando um trecho das Escrituras que seja interessante e de fácil compreensão. Convém que o culto seja breve. Se for lido um capítulo extenso e feita uma oração longa, o culto torna-se cansativo e, ao terminar, tem-se sensação de alivio. Deus é desonrado qundo a hora da adoração se torna insípida e enfadonha, quando é tão tediosa, tão destitida de interesse que as rianças lhe têm horror. (WHITE, Ellen Golden. Testemunhos Seletos. V. 3. 5. ed. Ed. Casa publicadora Brasileira, 1985. p. 92). Os textos elencados rechaçam vigorosamente a tese extremista contrária à mulher profetizar na igreja em qualquer situação, interpretando erroneamente o texto paulino. Restou comprovado o Senhor permitindo à mulher orar e profetizar publicamente na igreja, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Paulo recomendou as mulheres não perturbarem os cultos falando alto, não exorbitassem as funções masculinas, esclarecessem as dúvidas em casa e respeitassem os maridos. A aludida exortação não impede a mulher dirigir os cultos domésticos na ausência do marido, orar e profetizar na igreja.

Retomando o estudo do véu, convém analisar vários textos apontados pelos pioneiros adventistas, defendendo a mulher falar na igreja, porém coberta com véu.

No texto seguinte, Tiago White diz claramente, a mulher tem o direito de profetizar em público, todavia, com a cabeça coberta com véu. Ele argumenta: se as mulheres não pudessem falar em público, então por que Paulo deu essas instruções? E acrescenta a diferença entre o homem e a mulher na igreja está no uso do véu. Confira: Em 1 Cor. 11: 5, instruções são dadas de que as mulheres que orar e profetizar em público deve seguir o costume da sociedade, e ter suas cabeças cobertas. Se ele estava errado para elas para falar ou orar em público, por que dar essas instruções? A única diferença feita entre homens e mulheres, é que os homens estão a descobrir suas cabeças, e as mulheres devem cobrir a delas, quando falam ou ora. (Tiago White – Advent Review and Sabbath Herald, vol. 37, 14 de março de 1871). A Igreja Adventista recusou a doutrina da justiça de Cristo, a doutrina do véu, entre outras, forçando o Senhor recolher a luz celestial. A igreja retrocedeu ao Egito, apostatando da fé.

Em seguida, Tiago White chama a atenção do leitor para o fato de Paulo colocar o homem e a mulher nas mesmas condições de ensinar, orar e profetizar na igreja. A única diferença invocada consiste no uso do véu: Paulo continua nos versículos 4 e 5, e o leitor vai ver que ele coloca os homens e mulheres, lado a lado na posição e obra de ensinar e orar na igreja de Cristo, “Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua cabeça. Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça; para isso é a mesma coisa como se estivesse rapada. (Tiago White – Advent Review and Sabbath Herald, …, 29 de maio de 1879, página 172). Tiago White vinculou-se ao texto de Paulo, interpretando sabiamente a posição de homens e mulheres na igreja. Ao receber o dom de profetizar, agraciado com iluminação divina, deve-se profetizar na

igreja impulsionado pelo Espírito Santo, tanto faz se homem ou mulher.

Desta feita, Uriah Smith traz luz sobre a necessidade do uso do véu pelas irmãs na igreja. Alicerçado em I Coríntios 11, os pioneiros adventistas receberam graciosa luz acerca do preceito do véu: O leitor, por favor virar para 1 Coríntios 11 , e leia atentamente os primeiros quinze versos. Ele vai lá descobrir que Cristo é a cabeça de todo homem, e o homem a cabeça da mulher; que a mulher quando ora ou profetiza deveria ter a cabeça coberta. Encontramos por estes textos que uma mulher pode orar ou profetizar na igreja”. (Uriah Smith – Advent Review and Sabbath Herald, vol. 10, 15 de outubro de 1857, página 190). A Igreja Adventista foi iluminada sobejamente acerca do preceito do véu. Contudo, focados em justificar o direito da mulher profetizar em público, resistiram ferozmente contra Deus e sua doutrina, abominando o preceito do véu.

O renomado pioneiro Uriah Smith comenta as instruções paulinas acerca do preceito do vestuário e do véu. Uma centelha de luz brilhou no adventismo primitivo, confirmando a doutrina do Senhor. Os festejados pioneiros estavam cônscios da necessidade de obedecerem ao preceito do véu: No capítulo 11: 5, na mesma epístola aos Coríntios, Paulo dá instruções sobre como as mulheres devem ser vestidas ao orar ou profetizar na congregação pública, ou verso 18. Em “quando eles estavam reunidos na igreja.” versículo 4, ele diz: “todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra a sua cabeça.” Então ele passa a dar instruções em relação às mulheres, “Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça. (Uriah Smith – Advent Review and Sabbath Herald, …, 26 de junho de 1866). O tom melodioso tocado na pena do festejado pioneiro expressa um “Assim diz o Senhor”: a mulher ora e profetiza com a cabeça coberta de véu ou desonra a cabeça e os anjos presentes.

Neste particular, emerge E. J. Waggoner, outro renomado pioneiro, defendendo o direito da mulher profetizar e orar na igreja. O supracitado pioneiro chama a atenção para a instrução paulina, exortando as irmãs sobre a forma adequada da mulher cristã profetizar e orar na igreja, cobrindo a cabeça com o véu. Ele forma sua convicção, citando os textos proferidos por Paulo: Esta conclusão é feita positiva por outros textos. Em 1 Coríntios 11: 4, 5, 13 , o mesmo apóstolo diz: “Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta desonra a sua cabeça. Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça; para isso é a mesma coisa como se estivesse rapada” “Julgue em vós mesmos.; é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Nestes versos, e o contexto, o apóstolo está dando instruções para a condução adequada de adoração pública. (E.J. Waggoner – The Signs of the Times, vol. 13 de 12 de maio de 1887, página 278). Com efeito, não é decente a mulher orar e profetizar sem o véu. A exceção permite à mulher adorar publicamente, contudo, impõe uma condição: usar o véu.

Por fim, Andrews defende o direito da mulher cristã falar na igreja, citando 1 Coríntios, capítulo 11, verso 5, onde Paulo exorta no sentido de a mulher cobrir a cabeça com o véu na oração e adoração: Como prova de que ele não estava falando contra uma mulher de participar de culto religioso, nos referimos a 1 Coríntios 11: 5, onde ele diz que toda mulher que profetiza ou ora com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça. (J.N. Andrews – Advent Review and Sabbath Herald, 02 de janeiro de 1879, pg. 4). Noutro giro, se a mulher cobrir a cabeça com véu na oração e adoração, honra a Deus, os anjos e não desonra sua cabeça.

Diante da realidade dos textos apresentados, restou comprovado de forma cristalina, na ânsia de justificar o direito da mulher profetizar na igreja, os pioneiros foram forçados a reconhecer o preceito do véu, a mulher exerce o direito de profetizar, contudo, usando o véu. A Associação Geral não

endossou a doutrina do véu, assim como rechaçou outras doutrinas, a exemplo da justifica de Cristo, quem pode o mais, pode o menos. Nesta senda, o preceito do véu continua vigente, pelo menos na Igreja Remanescente, comprometida com a doutrina confiada aos santos, impulsionada pela Justiça de Cristo alocada no coração dos crentes, compelindo-os a amar e obedecer aos Mandamentos, Estatutos e Preceitos do Senhor.